
“Encobertas por fumaça tóxica pela sexta vez, em 15 dias, Manaus e Iranduba permanecem “minadas” por incêndios que devastam áreas de mata, elevando índices de poluição muito acima do limite e colocando em risco a saúde da população.”
Manaus viveu nesta quarta-feira (23) uma situação crítica marcada pela combinação de incêndios florestais e níveis alarmantes de poluição atmosférica. No início da noite, um incêndio de grandes proporções atingiu a avenida Torquato Tapajós, na zona Norte, próximo ao Hospital Delphina Aziz. Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas atuam no combate às chamas.
Na comunidade indígena Parque das Tribos, no bairro Tarumã, moradores enfrentam há três dias um incêndio em área de mata fechada. Segundo a liderança indígena, os próprios moradores compraram equipamentos para tentar conter o fogo, já que os focos retornaram mesmo após a intervenção dos bombeiros. Em Iranduba, a 27 quilômetros da capital, outro incêndio foi registrado nas proximidades do Distrito de Cacau Pirêra, também mobilizando agentes para controlar a situação.
Esses episódios se somam a um cenário ainda mais grave: Manaus amanheceu coberta por uma densa nuvem de fumaça pela sexta vez em apenas 15 dias. O Distrito Industrial I registrou um índice de 587,9 µg/m³ de partículas inaláveis, mais de três vezes acima do limite máximo da escala Selva, que é de 160 µg/m³.
Sete dos 13 municípios monitorados na região metropolitana apresentaram qualidade do ar classificada como “péssima”, incluindo Manacapuru, Iranduba, Autazes e Itacoatiara. Em Autazes, o índice chegou a 576,6 µg/m³. A poluição já impacta diretamente a saúde da população: em menos de três meses, foram contabilizados 132 atendimentos por problemas respiratórios na rede estadual. Crianças, idosos e pessoas com doenças pré-existentes estão entre os mais vulneráveis.
Diante da crise, instituições como a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) suspenderam as aulas presenciais e adotaram o ensino remoto. A Secretaria de Saúde reforçou orientações para evitar atividades físicas ao ar livre, utilizar máscaras N95 e procurar atendimento médico em caso de sintomas graves. A combinação de queimadas, estiagem e altas temperaturas intensifica a propagação da fumaça e expõe a fragilidade das políticas de prevenção e combate aos incêndios na região.
Esse quadro evidencia não apenas os impactos ambientais, mas também os riscos sociais e urbanos que a população enfrenta, tornando urgente o debate sobre poluição atmosférica, incêndios florestais e saúde pública.



