
Classificado como categoria 3, o Lowell deve passar ao oeste das ilhas havaianas com ventos de até 200 km/h, chuvas fortes e ondas que podem alcançar nove metros, trazendo risco de alagamentos e deslizamentos. Efeitos gerados pelo mesmo El Ninã que seca os rios da Amazônia em 2026
O furacão Lowell, que levou o Havaí a decretar estado de emergência neste domingo (6), e a estiagem severa na Amazônia são manifestações distintas de um mesmo fenômeno climático global: o El Niño. O aquecimento anormal das águas do Pacífico fornece energia extra para tempestades tropicais, intensificando sistemas como Lowell, Karina e Marie, que chegaram a se formar simultaneamente. Ao mesmo tempo, esse desequilíbrio atmosférico reduz a umidade sobre a América do Sul, provocando secas históricas na Amazônia e chuvas intensas no Sul do Brasil.
Enquanto isso, a Amazônia enfrenta rios em níveis críticos, comunidades isoladas e aumento do risco de queimadas. A estiagem prolongada é resultado direto da mesma alteração climática que alimenta furacões no Pacífico. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), este El Niño tem quase 100% de chance de se manter até fevereiro de 2027, e a NOAA estima que pode ser o mais intenso dos últimos 70 anos, favorecendo eventos extremos em diferentes regiões do planeta.
Lowell
De acordo com os serviços meteorológicos, o furacão deve se aproximar a cerca de 200 km da ilha de Niihau e 270 km de Kauai, colocando essas regiões sob alerta de tempestade tropical. Autoridades locais recomendam que moradores e turistas se preparem para possíveis cortes de energia, alagamentos e condições perigosas no litoral.
Lowell é o terceiro fenômeno tropical a ameaçar o Havaí em menos de um mês, após o furacão Lala e a tempestade Moke. A situação reflete um cenário climático marcado por um El Niño excepcionalmente forte, que, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), tem quase 100% de chance de se manter até fevereiro de 2027. A NOAA estima que este pode ser o El Niño mais intenso em sete décadas, favorecendo a formação de tempestades mais frequentes e severas no Pacífico.
Além de Lowell, outros dois furacões — Karina e Marie — chegaram a estar ativos simultaneamente no oceano neste fim de semana, algo raro e que não ocorria há cerca de dez anos.
O estado de emergência permite ao governo mobilizar recursos adicionais e coordenar ações de resposta rápida para minimizar os impactos do furacão.
Impactos em cadeia
Os impactos globais são amplos: Austrália deve enfrentar estiagens prolongadas, África pode registrar chuvas torrenciais, e a América do Norte tende a ter maior frequência de tempestades tropicais. No Havaí, mesmo que Lowell perca força, o solo já saturado aumenta o risco de deslizamentos.
A combinação de El Niño intenso e aquecimento global amplia a probabilidade de múltiplos furacões ativos ao mesmo tempo e expõe a vulnerabilidade de regiões costeiras e ilhas. Além dos impactos humanos e ambientais, há também consequências econômicas, atingindo logística, turismo e agricultura.
Em resumo, o furacão Lowell e a seca amazônica são faces diferentes de um mesmo desequilíbrio climático, mostrando como o El Niño redistribui extremos pelo planeta e reforçando a urgência de medidas de adaptação e proteção.



