Trump aprova início da transição nos EUA sem admitir a derrota

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou nesta segunda-feira (23) que não se opõe mais a que seu governo assista a equipe de transição do adversário, Joe Biden, mas sem admitir a derrota, após semanas apegado a uma batalha legal para impugnar os resultados do pleito.

No dia em que Biden fez anúncios de postos-chave do seu governo, que começa em 20 de janeiro, o presidente em fim de mandato aceitou dar início ao processo de transição, o que implica no acesso a documentos para a nova administração.

Em um tuíte, Trump anunciou que a Administração Geral de Serviços deveria “fazer o que for necessário” depois que a diretora da agência, Emily Murphy, disse que iniciaria o processo, bloqueado até o momento.

Mas na mesma mensagem, o presidente republicano se negou a admitir a derrota para o adversário e afirmou: “Nosso caso continua com FORÇA, vamos continuar sustentando uma boa luta e acho que vamos vencer!”

Biden comemorou o passo dado e o descreveu como crucial para uma “transferência de poder pacífica”, depois de semanas de uma tensão inédita nos Estados Unidos.

O político democrata anunciou nesta segunda-feira seus escolhidos para a diplomacia e a segurança nacional, uma equipe composta na maioria por veteranos do governo de Barack Obama, que destaca um retorno à política externa tradicional dos Estados Unidos.

O experiente diplomata Antony Blinken foi nomeado como secretário de Estado e o ex-chefe da diplomacia de Obama, John Kerry, foi nomeado delegado especial para o clima. Linda Thomas-Greenfield foi eleita embaixadora na ONU; Avril Haines, diretora de Inteligência Nacional e Jake Sullivan, assessor de Segurança Nacional.

Em um sinal de renovação, Biden designou Alejandro Mayorkas como chefe do Departamento de Segurança Interna (DHS).

Mayorkas – que nasceu em Havana – será o primeiro latino a liderar esta cadeira que se encarrega, entre outros assuntos, da imigração. 

As primeiras nomeações indicam uma virada de página na política dos “Estados Unidos primeiro”, auspiciada por Trump, para uma abordagem mais centrada no multilateralismo.

“Não temos tempo a perder quando se trata de nossa segurança nacional e nossa política externa”, disse Biden em um comunicado emitido em inglês e espanhol. 

Biden destacou que os membros de seu gabinete são “experientes”, que provaram suas qualidades “em situações de crise” e que serão dedicados à tarefa de “reconstruir” as instituições e renovar e reformular a “liderança americana”.

A nomeação de Kerry aponta em especial à promessa de Biden de voltar ao Acordo Climático de Paris para lutar contra o aquecimento global.

Nesta segunda, também anunciou-se que Janet Yellen será a secretária do Tesouro. Se for confirmada pelo Senado, ela fará história ao ser a primeira mulher à frente da pasta.

A economista de 74 anos foi presidente do Fed (banco central americano), durante parte do governo Obama, sendo substituída por Trump quatro anos depois.

Muitas das nomeações que o governo democrata propõe deverão passar pelo Senado, onde até agora os republicanos têm uma maioria apertada, que poderiam perder a depender do resultado da eleição extraordinária para dois assentos na Câmara Alta que a Geórgia celebrará em 5 de janeiro.

Opções diminuem

Com a certificação dos resultados em Michigan, nesta segunda-feira, as esperanças do presidente republicano esmaecem, principalmente porque sua equipe perdeu uma batalha judicial na Pensilvânia, que também se prepara para oficializar sua contagem.

O presidente tem evitado a imprensa, marcando um forte contraste com a estratégia de comunicação durante seu governo, e reduziu ao mínimo sua agenda pública.

Embora os resultados mostrem que Biden teve uma maioria confortável, as táticas de Trump visam a interromper os processos de certificação de diversos estados antes da votação formal do Colégio Eleitoral, em 14 de dezembro.

Trump vem perdendo apoio nos últimos dias e pouco a pouco, aparecem rachas entre os republicanos: o ex-governador de Nova Jersey, Chris Christie – que era um confidente próximo do presidente – se distanciou e chamou a equipe jurídica de Trump de “vergonha nacional”.

O senador da Pensilvânia Patrick Toomey afirmou após a decisão dos tribunais do estado que Trump havia esgotado “todas as opções legais plausíveis”.

O último peso-pesado a se descolar e pressionar Trump a aceitar os resultados foi Stephen Schwarzman, um banqueiro que dirige o fundo privado Blackstone e que era muito próximo do presidente. “O país deveria virar a página”, disse ele ao portal Axios na segunda-feira.

Por: AFP

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