Manifestação pela morte de negro no Brasil termina em confronto com policiais

Centenas de pessoas marcharam novamente nesta segunda-feira (23) em Porto Alegre para protestar contra a morte violenta de um homem negro pelas mãos de guardas de um supermercado Carrefour, em um dia que terminou com confrontos entre um grupo de manifestantes e a polícia, que usou bombas lacrimogêneas para dispersar o grupo.

“Vidas negras importam, pare de nos matar”, diziam cartazes e camisetas contra o racismo usados por manifestantes, que pelo quarto dia consecutivo marcharam na capital gaúcha para condenar a morte brutal de João Batista Rodrigues Freitas, de 40 anos, na noite de quinta-feira.

Uma passeata pacífica chegou a ocupar uma avenida, interrompendo o trânsito, em frente a uma agência do Carrefour – na zona leste de Porto Alegre – onde várias dezenas de uniformizados foram posicionados para proteger o supermercado.

“O Carrefour é assassino, o Carrefour é assassino”, gritavam os participantes da manifestação, enquanto outros perguntavam sob a faixa “Justiça por Beto”, apelido da vítima.

Após cerca de três horas de mobilização, um pequeno grupo de manifestantes tentou destruir as proximidades do supermercado e atirou pedras e fogos de artifício contra a polícia, que dispersou os manifestantes com gás lacrimogêneo e balas de borracha, apurou a AFP. Não houve feridos.

O assassinato de João Beto chocou o Brasil, após a divulgação de um vídeo em que este homem negro é espancado por um segurança no estacionamento do supermercado enquanto o outro o segurava.

De acordo com os primeiros elementos da investigação, o homem foi brutalmente espancado por mais de cinco minutos antes de ser imobilizado por seus agressores e sufocado até a morte.

A morte de João Beto, que foi enterrado no domingo, também mobilizou centenas de pessoas em outras cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, principalmente entre sexta e domingo.

O CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, expressou suas condolências no Twitter na sexta-feira após esse “ato horrível” e considerou as imagens “insuportáveis”.

Solicitou também “uma revisão completa das ações de formação de colaboradores e terceirizados em questões de segurança, respeito à diversidade e valores de respeito e repúdio à intolerância”.

Por: AFP

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