Arce promete governar ‘para todos’, ao assumir como presidente da Bolívia

Um ano após a queda do presidente esquerdista Evo Morales, seu afilhado político Luis Arce tomou posse, neste domingo (8), como o novo presidente da Bolívia com o desafio de fechar as feridas políticas e superar a crise econômica.

Arce sucedeu a presidente interina de direita Jeanine Áñez por um mandato de cinco anos, o que marcou a volta ao poder do Movimento pelo Socialismo (MAS), liderado por Morales, que retornará ao país na segunda-feira de seu exílio na Argentina.

“Estamos iniciando uma nova etapa em nossa história e queremos fazê-lo com um governo que seja para todos, sem discriminação de qualquer espécie. Nosso governo buscará reconstruir nossa pátria em unidade para viver em paz”, declarou Arce em seu discurso após ser empossado por seu vice-presidente, David Choquehuanca.

“Nos comprometemos a restaurar o que estava errado e aprofundar o que estava certo”, acrescentou.

O rei Felipe VI da Espanha e os presidentes da Argentina,Antonio Fernández, Colômbia,Iván Duque, e Paraguai, , Mario Abdo Benítez, além do ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, entre outros, assistiram a posse de Arce, economista de 57 anos com mestrado na Grã-Bretanha e com perfil de tecnocrata.

Após reunião com o novo presidente boliviano, Duque disse neste que espera estreitar as relações com a Bolívia. “Esperamos continuar fortalecendo nossa relação bilateral em matéria comercial, diplomática, de segurança e multilateral, no âmbito da Comunidade Andina de Nações, da qual a Colômbia é presidente pro tempore”, disse Duque.

A cerimônia de posse foi realizada pela manhã no Congresso boliviano. Após prestar juramento, o novo presidente caminhou até o Palácio Quemado, sede do governo.

As Forças Armadas da Bolívia, que há um ano desempenharam um papel fundamental na queda de Evo Morales, entregaram bastão de novo “Capitão Geral” ao herdeiro político do ex-presidente, Luis Arce, neste domingo.

Arce recebeu o bastão do comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Sergio Orellana, em um ato simples no Palácio Quemado, a casa do governo, informou o Ministério da Defesa em sua conta no Twitter.

Além disso, os cadetes do Colégio Militar do Exército, em uniforme de gala, foram destacados para vigiar a Plaza de Armas de La Paz, onde estão localizados o Palácio de Quemado e o Congresso, onde Arce prestou juramento.

Arce também presidirá um desfile de destacamentos do Exército, Força Aérea, Marinha e Polícia na Plaza Murillo, para depois receber as saudações dos chefes de Estado visitantes e outros enviados oficiais.

“Um governo diferente”

Antes de assumir o cargo, Arce expressou sua confiança de que as relações com os Estados Unidos serão fortalecidas após a eleição de Joe Biden. Ambos os países não têm embaixadores desde 2008.

Arce venceu de forma esmagadora as eleições de 18 de outubro, que substituíram as eleições de 2019, que marcaram a queda de Morales após 14 anos no poder.

Durante a campanha, Arce ergueu a bandeira da bonança econômica do governo Morales (2006-2019), de quem foi ministro da Fazenda -época de alto crescimento do PIB e participação ativa do Estado na economia, além de redução da pobreza.

No entanto, o arquiteto deste “milagre” econômico tem vários desafios pela frente em um país polarizado e em recessão. Também deve provar que é ele quem controla o país e não seu mentor,segundo analistas.

Um grande desafio para Arce “e consolidar sua própria legitimidade diante de uma figura forte e expressiva na mídia como Evo Morales”, disse a cientista política Ximena Costa à AFP.

“Há uma parte da sociedade que não quer a volta de Evo Morales e cabe ao próximo presidente fazer um governo diferente”, disse à AFP o analista político Carlos Cordero.

Morales, de 61 anos, retornará à Bolívia na segunda-feira, um ano depois de renunciar após perder o apoio das Forças Armadas e da polícia, em meio a protestos e denúncias de fraude eleitoral, quando buscava um polêmico quarto mandato consecutivo.

O ex-presidente entrará em uma caravana pela fronteira com a Argentina e fará uma viagem de 1.100 quilômetros até o Trópico de Cochabamba, onde emergiu como o líder dos cocaleiros, em uma jornada que ameaça chamar a atenção nacional e internacional e ofuscar a agenda da Arce.

Recurso de Mesa

Outro grande desafio para o novo presidente é a recuperação da economia boliviana, duramente atingida pela pandemia do coronavírus.

Os analistas acreditam que, para conseguir apoio da oposição, o partido deveria anular a decisão do Parlamento cessante que modificou os regulamentos internos reduzindo o quorum para aprovar certas disposições.

Esta modificação de última hora visa garantir que o MAS continue controlando o Congresso boliviano, apesar de ter perdido sua maioria de dois terços.

O ex-presidente de centro Carlos Mesa (2003-2005), vice-presidente nas eleições do mês passado, anunciou neste domingo que vai apelar ao Tribunal Constitucional para anular a modificação “arbitrária e ilegal” do quorum legislativo.

Reagindo à posse da Arce, o direitista Luis Fernando Camacho, terceiro eleito e um dos líderes dos protestos que levaram à queda de Morales, disse que “hoje é um dia ruim para a democracia” na Bolívia.

Por: AFP

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